PANCS: conheça as plantas alimentícias não convencionais

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Você conhece as PANCS? Essa sigla é utilizada para denominar as Plantas Alimentícias Não Convencionais. O termo foi criado em 2008 pelo professor e biólogo Valdely Ferreira Kinupp. Internacionalmente, essas plantas são conhecidas como Plantas Selvagens Comestíveis e Espécies Negligenciadas e Subutilizadas.

A grande maioria dessas plantas crescem de forma espontânea, podendo ser encontradas em calçadas, quintais, hortas, terrenos baldios e no vaso de outras plantas que cultivamos. Por esse motivo, muitos as confundem com ervas daninhas ou mato.

No mundo todo, estima-se que existam 30 mil espécies de plantas que podem ser consumidas, desse montante, 12.500 já estão catalogadas. No Brasil, podemos encontrar cerca de 5 mil exemplares.

Apesar dessa variedade, apenas 30 espécies de plantas atendem a 95% da demanda humana por alimentação, segundo dados da ONU. Além disso, diversos estudos apontam que as PANCS  apresentam uma concentração maior de fibras, antioxidantes e proteínas do que as plantas convencionais. Isso significa que estamos deixando de consumir vários alimentos que são benéficos para nossa saúde.

plantas alimentícias não convencionais
Há muitas plantas alimentícias que você nem imagina que poderia comer!

Mas afinal, o que diferencia uma PANC de um brócolis? Apenas o fato de que, por falta de conhecimento, elas não são comercializadas nas feiras e, consequentemente, estão excluídas do nosso cardápio.
O grupo das PANCS abrange verduras, frutas, oleaginosas, hortaliças, cereais e corantes naturais. Também enquadramos nessa categorias parte de plantas convencionais que não temos o hábito de consumir, como a casca da banana ou as folhas da batata doce.

Quais os benefícios de consumir PANCS?

Como explicamos no início do texto, as PANCS são super nutritivas e apresentam um crescimento espontâneo que dispensa o cultivo, como resultado temos alimentos livres de agrotóxicos.

Além disso, elas também são mais resistentes do que as plantas convencionais e se adaptam com mais facilidade, o que permite que elas sejam incluídas na alimentação por um custo muito baixo ou nulo. Em um país como o nosso, em que mais de 116 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar ou passam fome, elas seriam uma ótima solução, não acha?

solução para a fome no Brasil
As PANCS podem ser uma solução para a fome.

Outra vantagem é que devido a sua adaptabilidade, as PANCS são encontradas em todas as regiões do Brasil, estando disponíveis para todos. Vale reforçar que a nossa intenção não é deixar os alimentos convencionais de lado, mas sim incluir as Plantas Alimentícias Não Convencionais em nossa alimentação, aumentando a quantidade de nutrientes em nossa dieta e possibilitando que todos tenham acesso a alimentos nutritivos.

Como identificar as PANCS

Provavelmente você está convencido de que vale a pena dar uma chance para as PANCS. Mas como identificar uma?

Em primeiro lugar, é importante dizer que o termo é variável, isso porque uma planta muito consumida em uma região do Brasil pode ser considerada uma PANC em outro estado. Em Minas Gerais, por exemplo, a Ora-pro-nóbis é muito consumida; já no Paraná ela normalmente é utilizada como cerca viva.

Saber identificar PANCS é imprescindível para garantir que você não consuma alguma planta nociva à saúde. Para isso, recomendamos sempre consultar algum especialista, como agrônomos e botânicos, e informar-se em fontes seguras.

Em 2010, o Ministério da Agricultura lançou o Manual de hortaliças não convencionais, nele estão catalogadas 23 espécies vegetais com partes comestíveis, esse conteúdo pode ajudar na identificação de PANCS. Vale a pena conferir!

Caso decida pesquisar na internet, descubra qual o nome científico da planta que deseja consumir, pois os nomes populares variam de acordo com a região. Em seguida, analise se as condições de desenvolvimento se igualam. Por exemplo, ao pesquisar pelo nome científico de determinada planta, descobriu que elas crescem na luz solar direta. Então, se a planta que você encontrou está na sombra, existem grandes chances de não ser a PANC que você espera.

Por fim, evite consumir PANCS que cresceram em aterros sanitários, calçadas ou perto de locais que recebam algum produto agrícola.

PANCS mais comuns no Brasil

No Brasil, temos mais de 5 mil PANCS, o que torna impossível trazer todas nesse texto. Mas para facilitar a consulta, trouxemos as plantas mais comuns e que podem ser encontradas em diversas regiões do país.

01. Ora-pro-nobis

Essa planta é facilmente encontrada na região Sudeste, sendo muito utilizada na culinária mineira. Suas folhas são ricas em proteína (cerca de 25% da sua composição), vitaminas, ferro e fibras. Graças aos seus componentes, auxilia no funcionamento intestinal e no fortalecimento do sistema imunológico.

ora-pro-nobis fonte de proteínas
A ora-pro-nobis é muito utilizada na culinária mineira.

Elas podem ser consumidas de diversas formas: secas, cruas, cozidas, refogadas, no feijão, em recheios de tortas e na massa do pão.

02. Taioba-mansa

A Taioba também é conhecida como orelha de elefante devido às suas folhas grandes e verdes. Essa planta é rica em vitaminas A, B e C, ferro, cálcio e potássio, o que contribui para a melhora da visão, prisão de ventre, fortalecimento do sistema imunológico e prevenção de osteoporose e anemia.

taioba é rica em vitaminas, ferro, cálcio e potássio
A taioba-manda, também é conhecida como orelha de elefante. Você já deve ter visto uma, mas não sabia que era comestível, certo?

No entanto, antes de consumi-la você deve cozinhar suas folhas, pois cruas podem ser tóxicas. Além disso, a Taioba é parecida com algumas plantas que são prejudiciais à saúde, então realize a identificação com cuidado.

03. Dente-de-leão

O dente-de-leão é uma das PANCS mais conhecidas. No Brasil não temos o costume de consumi-la, mas na Europa suas raízes são utilizadas para aromatizar chás e as flores para dar sabor aos vinhos e cidras.

dente de leão bom para o fígado
O dente-de-leão não só é comestível, como também é rica em fitonutrientes!

Além de possuir poderosa ação digestiva, essa planta é rica em fitonutrientes e fonte de vitaminas A e C. Seu consumo é recomendado para tratamentos do fígado, eliminação da urina, digestão e para abrir o apetite.

O dente-de-leão pode ser utilizado no preparo de chás, saladas, molhos e recheios ou para complementar pratos refogados e cozidos. Tanto as flores quanto as folhas e raízes são comestíveis.

04. Jacatupé

A Jacatupé, também conhecida como batata d’água, jicama, feijão-macuco ou feijão batata, é uma planta originária da América Central rica em proteínas e minerais. Ela possui propriedade diurética e antitussígena, além de ser fonte de amido.

jicama é bom para tosse
Jacatupé, ou jicama, parecida com uma batata, é diurética e antitussígena.

No entanto, a única parte comestível da Jacatupé são suas raízes, que se assemelham às batatas convencionais. Tanto o caule quanto as folhas são tóxicos para o nosso organismo. 

Após a leitura, esperamos que você tenha conhecido um pouco mais sobre o universo das PANCS e esteja convencido a incluí-las na sua alimentação.

Você tem o costume de consumir alguns desses alimentos ou tem curiosidade em experimentar? Compartilhe com a gente nos comentários!

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